top of page
  • Foto do escritorOscar Valente Cardoso

Dez Implicações Éticas da Utilização da Inteligência Artificial na Tomada de Decisão

A inteligência artificial (IA) tem se tornado cada vez mais presente em nossas vidas, desempenhando um papel fundamental em diversos aspectos, incluindo as tomadas de decisões.


No entanto, essa crescente dependência da inteligência artificial para tomar decisões leva a questões éticas relevantes, que precisam ser levada em consideração.


Na sequência, destacam-se dez implicações éticas da utilização da inteligência artificial em tomadas de decisão e como elas podem impactar as pessoas:


1) Transparência e explicabilidade: Uma das primeiras preocupações éticas em relação à inteligência artificial está na falta de transparência e explicabilidade em sua tomada de decisão. Na medida em que os algoritmos se tornam mais complexos e autônomos, é mais difícil (ou inviável) compreender como e por que certas decisões são tomadas;

2) Vieses e discriminação algorítmica: Outra preocupação ética está nos vieses e na discriminação algorítmica. Os algoritmos de IA aprendem com dados históricos, o que significa que, se houver preconceitos nos dados, eles podem ser perpetuados nas tomadas de decisão da inteligência artificial. Isso pode ter implicações éticas significativas em áreas como seleção de emprego, empréstimos bancários e justiça criminal;

3) Responsabilidade e accountability: Com a utilização de inteligência artificial no apoio à tomada de decisões relevantes, surge a questão da responsabilidade e da prestação de contas. Quem é responsável pelas decisões tomadas pela IA? Como atribuir responsabilidade em caso de erros ou consequências negativas? Isso é relevante inclusive na utilização do ChatGPT, considerando que as respostas geradas podem ter um impacto significativo na compreensão e percepção das pessoas sobre determinados assuntos;

4) Privacidade e proteção de dados: O emprego da inteligência artificial na tomada de decisão também levanta preocupações éticas relacionadas à privacidade e a proteção de dados (pessoais ou não). A inteligência artificial depende de grandes quantidades de dados para aprender e tomar decisões, o que pode incluir dados pessoais sensíveis. Logo, é preciso garantir que esses dados sejam protegidos de forma adequada e que o uso da IA seja feito em conformidade com as normas nacionais de privacidade e de proteção de dados (inclusive em mais de um país, na eventual transferência internacional de dados);

5) Autonomia e substituição humana: A automação de tomadas de decisão por meio da inteligência artificial também leva a questões éticas relacionadas à autonomia e à substituição humana. Com os avanços da inteligência artificial, aumenta o risco de que decisões importantes sejam deixadas inteiramente para os algoritmos, sem a supervisão e a intervenção humana necessárias. Isso pode afetar a autonomia das pessoas e resultar em uma perda de controle sobre suas próprias vidas (o que já ocorre atualmente, por exemplo, na indicação de filmes e séries, músicas, próximos vídeos para assistir, novos lugares para conhecer etc.);

6) Viabilidade e dependência: Outra preocupação ética relevante está relacionada à viabilidade e dependência da inteligência artificial. Na medida em que a IA se torna cada vez mais presente nas tomadas de decisão, surge a questão sobre até que ponto devemos depender dessa tecnologia. Por isso, é preciso garantir que a inteligência artificial seja aplicada como uma ferramenta complementar e não como uma substituta completa da capacidade humana de tomar decisões éticas;

7) Transparência algorítmica: Para lidar com as preocupações éticas da inteligência artificial nas tomadas de decisão, é essencial promover a transparência algorítmica. Isso significa que os desenvolvedores de IA devem fornecer explicações claras sobre como os algoritmos funcionam, quais dados são usados e como as decisões são tomadas. No caso do ChatGPT, por exemplo, é importante que os usuários compreendam que estão interagindo com um modelo de linguagem e que as respostas geradas são baseadas em padrões aprendidos a partir de grandes volumes de dados;

8) Testes e auditorias éticas: Para garantir a observância ética nas tomadas de decisão da inteligência artificial, é preciso realizar testes e auditorias éticas regulares, o que compreende a revisão dos algoritmos e dos dados utilizados, com a identificação de possíveis vieses, a fim de verificar se as decisões tomadas com o apoio da IA sejam adequadas e não discriminatórias;

9) Envolvimento humano: É fundamental manter o envolvimento humano nas tomadas de decisão impulsionadas pela inteligência artificial. Embora a IA possa fornecer um relevante apoio, é importante que as pessoas tenham a capacidade de supervisionar, intervir, questionar e avaliar as decisões tomadas com o emprego da inteligência artificial. Assim, os profissionais devem ser treinados para entender como a IA funciona e como interpretar as respostas geradas por ela;


10) Desenvolvimento ético de inteligência artificial: Por fim, é necessário promover o desenvolvimento ético da inteligência artificial desde o início, o que abrange a criação de normas e regulamentações que estabeleçam princípios éticos para o uso da IA nas tomadas de decisão. Ainda, os desenvolvedores devem ser incentivados a considerar os impactos éticos de suas criações e a priorizar a transparência, a equidade e a responsabilidade.

A utilização da inteligência artificial nas tomadas de decisão traz benefícios significativos, mas também levanta questões éticas importantes. Por isso, é fundamental abordar essas questões de forma transparente, para garantir que a inteligência artificial seja desenvolvida e utilizada de maneira ética, responsável e em conformidade com os valores humanos.


Ao adotar uma abordagem ética em relação à inteligência artificial, será possível aproveitar todo o potencial dessa tecnologia, ao mesmo tempo em que se protegem os direitos individuais e coletivos.




1.547 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page